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Avaliação Automática de Textos como Metodologia Ativa nos Processos Metacognitivos da Escrita Acadêmica

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O contexto atual cercado de inovações tecnológicas digitais propicia oportunidades para a construção de processos de ensino e aprendizagem apoiados por ferramentas interativas e por softwares que, além de contribuir pedagogicamente, evidenciam e privilegiam o ato de apropriar-se e de apreender o conhecimento de forma autônoma e ativa.

A escrita é uma das formas mais antigas de representação da comunicação humana, desde os homens primitivos que deixaram o relato do seu cotidiano em diversos registros históricos até os tempos contemporâneos, os quais se caracterizam pelo registro digital, através das redes sociais, hipertextos colaborativos, e aplicativos de dispositivos móveis, entre outros meios que hoje fazem parte da rotina social, acadêmica ou profissional, ainda temos a escrita como base de comunicação formal.

Apesar dos relevantes avanços tecnológicos, é possível perceber as dificuldades dos alunos para escrever, mesmo levando em consideração um grande contato com a escrita cotidiana por meio desses recursos comunicacionais. Uma parcela considerável dos acadêmicos se depara com essa dificuldade, de como transformar os seus pensamentos em linguagem escrita, de como narrar os fatos numa sequência lógica empregando padrões de registro adequados para o ensino superior.

No ensino superior a produção textual é uma prática rotineira exigida por todos os cursos da graduação ou pós-graduação. O que pode variar é a escala de exigência de quantidade ou qualidade dessa escrita. No entanto, as atividades de escrita acompanham o acadêmico do ingresso até o término do seu curso. Nesse contexto, o aluno produzirá uma diversidade de textos, desde resumos simples, resenhas, fichamentos, até artigos de caráter científico, relatórios técnicos e monografias, no nível de complexidade que cada etapa, disciplina ou estágio, exigirá.

Esses e outros gêneros textuais que os acadêmicos produzirão podem ser caracterizados conforme as especificidades que exigem para serem elaborados, principalmente tendo que levar em consideração o tema, o objetivo do texto, o público-alvo e a organização das informações antes do início da construção do próprio texto. Não há uma receita pronta que os professores possam repassar aos seus acadêmicos, mas há parâmetros que podem guiar esta construção, por exemplo: O que dizer? Para quem dizer? E como dizer? (MOTTA-ROTH; HENDGES, 2010).

Nesse processo os acadêmicos apresentam e relatam as suas dificuldades, pois sabem o que querem expressar, sabem para quem desejam comunicar as suas ideias, mas um dos empecilhos nessa dinâmica, é como fazer isso de forma clara, coerente, concisa e conecta. Para isso, a tecnologia apresenta uma alternativa para apoio e qualificação do processo de escrita. Por exemplo, nos anos 1990 MacArthur (1996) propôs utilizar a tecnologia para melhorar os processos de escrita de alunos com dificuldades de aprendizagem, por meio de ferramentas que auxiliassem na geração de sentenças, verificadores ortográficos, síntese de fala, gramática e recomendações.

Em virtude disso, podemos perceber a necessidade de investigar práticas e tecnologias que possam contribuir no processo de construção da escrita acadêmica com as características e necessidades específicas demandadas de um texto científico. Mas, não apenas qualificar o texto, como também, oportunizar momentos de reflexão sobre a construção do texto, no sentido que o aluno possa se apropriar do conhecimento e identificar suas facilidades e dificuldades desta construção.

A problemática que envolve a produção textual no ensino superior e as dificuldades advindas de um ensino básico deficitário, justifica-se a necessidade de investigar estratégias que possam contribuir para qualificar as produções textuais acadêmicas a partir da autorreflexão com base em mecanismo de metacognição.

Benefícios na Aprendizagem da Avaliação Automática de Textos

Para falar sobre os benefícios na aprendizagem da Avaliação Automática de Textos precisamos apresentar a Gotexting, um software que foi desenvolvido  a partir de pesquisas na área educacional e com fundamentos nas teorias da aprendizagem, utiliza Inteligência Artificial, Deep Learning, Enriquecimento de Dados e Mineração de Textos para aprender com os melhores professores e fornecer um feedback personalizado a cada aluno.

A Gotexting corrige textos com base nos critérios de gramática, coerência e similaridade textual, fornecendo feedback para cada aluno de maneira quantitativa (nota) e qualitativa (comentários de erros e acertos). Os critérios utilizados na correção dos textos fazem parte de algumas teorias da área da linguística, criadas por teóricos como Charroles, Beaugrande e Dressler. Nesse contexto, a Gotexting avalia uma atividade ou texto a partir dos seguintes critérios:

  • Abrangência/Progressão do Tema
  • Coerência (4 metarregras)
  • Percentual de Tangenciamento (Fuga do tema)
  • Gramática
  • Estrutura de Parágrafo
  • Plágio
  • Recomendação de Conteúdo

É possível acessar relatórios das tarefas realizadas pelos estudantes, sendo relatórios da turma, do curso, da área do conhecimento ou da instituição, conforme a necessidade pedagógica.

Com essa estrutura de avaliação realizada pela Gotexting, torna-se visível as possibilidades de intervenções pedagógicas que o professor poderá utilizar para contribuir na construção e qualificação da escrita acadêmica. Assim como, o próprio aluno poderá evoluir no seu desempenho por meio dos feedbacks gerados automaticamente para o estudante, estruturado de acordo com as etapas do processo metacognitivo.

A metacognição refere-se a ter acesso ao conhecimento sobre o próprio conhecimento, mas não se delimitando a esta etapa, na busca evolutiva para a próxima etapa que se refere à avaliação e a autorregulação do conhecimento, no âmbito da tomada de decisão para corrigir ou alterar atividades realizadas.

As estratégias metacognitivas possibilitadas na sua essência e por meio de atividades que permitam o seu exercício, tornam-se reais alternativas de aprendizagem. Em especial no desenvolvimento de habilidades e competências para construção de um texto acadêmico com base nos critérios da coerência, a partir da reflexão e autoquestionamento para alcançar a consciência. A autorregulação e autopoiese é possibilitada por meio dos feedbacks, consequentemente, na ação prática de refletir e refazer as atividades propostas, permitindo que de fato, o aluno seja o protagonista da sua aprendizagem.

Profª Dra Simone de Oliveira Founder e CPO da Gomining

Referências

BEAUGRANDE, Robert Alai; DRESSLER, Wolfgang. Introduction to text linguistic. Londres, Longman, 1983.

BOTTÉRO, Jean et al. Cultura, pensamento e escrita. São Paulo: Ática, 1996.

CHAROLLES, M. Introduction aux problèmes de la cohérence des textes. Revista Langue Française. Paris: Larousse, nº 38, maio 1978.

LEVY, P. A máquina do universo – criação, cognição e cultura informática. Porto Alegre: Artmed, 1998.

MACARTHUR, C. A. Using technology to enhance the writing processes of students with learning disabilities. Journal of Learning Disabilities, v.29, n. 4, pp. 344-354, 1996.

MOTTA-ROTH, D.; HENDGES, G. R. Produção textual na universidade. São Paulo: Parábola Editorial, 2010.

OLSON, David R.; TORRANCE, Nancy (Org.). Cultura escrita e oralidade. São Paulo: Ática, 1996.

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