OPORTUNIDADES DE EMPREGO: É PRECISO VIRAR A CHAVE

*Paulo Pasqual Jr.

Algo comum atualmente é o fato de as pessoas precisarem muito das poucas vagas de emprego que existem. Há, nos currículos, os mais diversos objetivos genéricos que dizem, em outras palavras, que a pessoa pode trabalhar em qualquer coisa. Muitas vezes, a necessidade por um trabalho é tão grande que o sujeito se submete a fazer qualquer tarefa, mesmo aquelas que ele é, inclusive, imperito. Assim, normaliza-se o “qualquer trabalho” por “qualquer valor”.

Nesse caminho, há muitas vagas com salários quase mínimos (em torno dos R$ 1.200 reais) que exigem conhecimentos de informática, curso superior e, como já vi por aí, coisas como “60 anos de experiência” e um “ovo de dragão”.

O fato é que muitas pessoas se submetem mesmo a essas modalidades de emprego que traduzem para a contemporaneidade um modelo quase que escravista. É, de fato, o capitalismo agindo sobre a sociedade e criando os seus abismos. Obviamente, aquele que paga R$ 1.200 pode absorver o excedente e aumentar a sua riqueza, enquanto aquele que recebe esse valor pouco poderá fazer a não ser se alimentar.

Apesar de todo esse contexto, o que eu quero tratar nesse texto é uma relação totalmente oposta. Até aqui, eu deixei bem claro que a maior parte das pessoas precisa de um emprego e, por esse motivo, se submete a praticamente qualquer “oportunidade”.

Por outro lado, eu acredito que é preciso virar a chave da empregabilidade. Mas afinal o que isso quer dizer. “Virar a chave” significa, para mim, mudar de lado; deixar de depender do empregador e inverter essa relação. Dessa forma você pode até querer muito estar naquele emprego, mas o empregador também fará questão da sua presença.

Mas em que contexto isso é possível?

Quando o sujeito é capaz de entregar exatamente a qualidade e o conhecimento em um determinado trabalho que não é encontrado facilmente no mundo do trabalho.

Quando o “candidato” é realmente bom naquilo que faz e irá realmente agregar na empresa. Assim, o empregador enxerga que o que ele acabou de encontrar não é algo que está sempre à disposição no mercado e, por isso, investe nesse profissional diferenciado.

Quem nunca ouviu a frase: “ E quando eu sair quem vai fazer isso? ” Obviamente ninguém é insubstituível, mas há competências que realmente são difíceis de encontrar.

Vou usar aqui um exemplo bem simples: toda empresa de qualquer porte precisa de auxiliares administrativos. Um auxiliar administrativo, ou um analista administrativo precisa conhecer uma série de processos e procedimentos, precisando, sobretudo, conhecer muito acerca do uso de softwares de escritório. Ou seja, precisa saber construir planilhas inteligentes, fazer relatórios e análises, gerar apresentações de qualidade, converter dados em informações relevantes. Acontece que muitos auxiliares administrativos não possuem as competências básicas de informática.

Eu mesmo, diversas vezes precisei parar e ensinar pessoas que estavam nessas funções a fazer planilhas básicas. Ou seja, esse profissional não é diferenciado, porque ele entrega o que a maioria entrega, ou simplesmente não está apto para a função que ocupa. Esse tipo de profissional pode facilmente ser substituído.

Um outro exemplo útil é no caso de profissionais de TI. O tempo todo, vagas e mais vagas são oferecidas com uma série de requisitos que são, normalmente, difíceis de cumprir, pois pressupõe-se uma série de conhecimentos que levam tempo para serem construídos. Acontece que as pessoas que tem o conhecimento em TI para preencher esse tipo de vaga podem exigir salários muito maiores do que aqueles que vão ter de serem ensinados depois da contratação.

Nesses casos, esses profissionais já viraram a chave da empregabilidade porque eles estão prontos a entregar tudo aquilo que o empregador precisa, gerando uma relação de dependência.

Quando o profissional é diferenciado, seja qual for a área dele, o poder de decisão e inclusive de negociação de salário e oportunidades passa também para a mão do trabalhador e deixa de ser um privilégio exclusivo do “chefe”.

Profissionais diferenciados, além de conseguirem salários muito melhores do que os funcionários “comuns”, adquirem também flexibilidade e até certos privilégios que lhes são dados para que ele permaneça feliz e motivado, realizando tudo o que o empregador precisa e contribuindo para o crescimento constante da empresa.

Nessa relação se o sujeito resolver sair da empresa quem perde é o empregador. Diferente do primeiro caso em que o empregador poderá simplesmente substituir o funcionário mediano por outro que faça o mesmo e que custe pouco.

Para virar a chave da empregabilidade, obviamente, o caminho não é simples e precisa ser pavimentado com formação continuada, estudo e dedicação para desenvolver habilidades e competências que não são facilmente encontradas.

Quanto mais específica for a formação de alguém e mais raros forem os conhecimentos de um determinado profissional, mais requisitado ele vai ser e, consequentemente, maior será o seu salário. Vale lembrar que para se atingir esse patamar no mundo do trabalho, apenas as competências técnicas não são suficientes: é preciso desenvolver também competências socioemocionais!

Para chegar lá, não há um grande segredo senão investir em capacitação contínua, autonomia e sobretudo saber aprender a aprender.

(*Texto publicado originalmente pelo autor  no blog https://www.pasqualjr.com.br)