Neste ano, a Gomining retornou aos debates e momentos de estudo com as lives sobre Educação. A estreia foi no dia 16 de março de 2021, com o tema “DESAFIOS PARA A EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA”, com uma conversa instigante com o professor, pesquisador e entusiasta da educação, Me. Paulo  Pasqual Júnior, sobre a visão epistemológica, o percurso histórico da Educação Tecnológica e os desafios para a educação no século XXI.

O diálogo trouxe muitas considerações para os professores fazerem uma análise da sua prática, uma autocrítica para docentes repensarem seu trabalho de uma forma contemporânea.  Os desafios tratados na live contribuíram para pensarmos na educação não somente como usuários da tecnologia mas como desenvolvedores e críticos.

A pandemia fez com que todos (instituição de ensino e famílias) corressem atrás dos meios tecnológicos. Assim, a educação ganhou muito na questão de usufruir de ferramentas.Porém, ainda precisamos focar no produzir e criar novas formas dentro da ciência computacional. Atualmente, aceleramos o uso de tecnologias mas precisamos construir e desenvolver mais possibilidades no contexto da educação tecnológica, trabalhando instintivamente, por exemplo, com conceitos matemáticos importantes como solução de problemas, reconhecimento de padrões, sistematização de algoritmos,etc.

Além das dificuldades com os pares, a escola e a família também precisam rever questões sobre o processo de aprendizagem para alcançarmos transformações pertinentes e proveitosas para toda a sociedade.

Para saber mais sobre o assunto, conheça o Capítulo 1 do livro “Pensamento Computacional e Tecnologias- Reflexões sobre a educação no século XXI” ou assista a live completa acessando: https://www.youtube.com/watch?v=i32Cx99V7ec

 

 

O professor e alguns pressupostos de aprendizagem*

Refletir sobre a educação contemporânea perpassa a formação de professores e alguns pressupostos de aprendizagem porque, ao se refletir como se aprende, podemos então planejar como criar condições para que a aprendizagem ocorra. Assim, a  formação de  professores, tanto inicial como a continuada, precisa  de um olhar especial para que os docentes não reproduzam com seus alunos  um modelo de educação baseado na repetição.

Certamente, é importante diferenciarmos as principais concepções que influenciam os modelos de educação até hoje. O empirismo embasa uma prática pedagógica diretiva, com transmissão de conhecimentos e repetição. Neste modelo, o sujeito nada tem a priori e nada constrói ou cria, ele é extremamente passivo. A epistemologia inatista ou inatismo acredita que o conhecimento ou que toda a capacidade de aprender do sujeito é inata, não diretiva, ou seja, os conteúdos mentais estão presentes desde o nascimento e não são adquiridos ou aprendidos.  Já para  o construtivismo, o conhecimento não está nem no sujeito, nem no objeto,  mas na relação dialética entre os dois. Neste modelo, o sujeito é ativo no processo, é uma pedagogia relacional.

A partir destas diferenças, o professor consegue refletir sobre a própria prática e pode sistematizar novas oportunidades de aprendizado, procurando permitir que o aluno faça novas relações e seja capaz de descobrir e assimilar. E, é neste sentido, que as tecnologias aparecem e trazem um mundo de possibilidades. Muitas vezes, o professor utiliza metodologias ativas e outras estratégias, mas segue entendendo que ele é o centro do processo de aprendizagem. Desta forma, é fundamental considerar a distinção entre metodologia ativa e o uso de tecnologias.

De forma geral, uma metodologia ativa é aquela que proporciona ao sujeito adquirir conhecimento ativamente, por meio de uma ação. Um exemplo disto é a estratégia da sala de aula invertida, que consiste em oportunizar ao estudante, acesso aos materiais de aula de forma prévia, ou seja, que ele vá para a sala de aula já tendo acessado o material em espaço externo à escola.

Para não confundir, é necessário ter noção que um professor empirista pode usar metodologias ativas porque o empirismo se insere na concepção de conhecimento e não na prática em si. Assim, para  a aprendizagem tornar-se algo significativo ela não poderá ser mecânica mas estar associando novas informações a conceitos já existentes no intelecto.

Vamos diferenciar os tipos de aprendizagem: aprendizagem por recepção, aprendizagem por descoberta, aprendizagem significativa e aprendizagem mecânica. A aprendizagem significativa é oposta a aprendizagem mecânica, pois a primeira parte de um conhecimento prévio e a segunda não. Já a aprendizagem por recepção é oposta à aprendizagem por decoberta pois, na primeira, os conceitos são passados de forma  pronta, sem descoberta. Isso não aocorre na aprendizagem por descoberta que parte do pressuposto da investigação.

Com todas estas reflexões, o autor  nos alerta que não basta adicionarmos novas roupagens às formas tradicionais de ensino. É preciso superar essa consciência ingênua de que, por exemplo, a tecnologia por si só, mobiliza aprendizagens. Ao contrário, é necessário apropriar-se das relações entre o aprender e o ensinar, sempre com vistas ao rompimento paradigmático da educação tradicional.

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*(Resumo do capítulo 1, do livro “Pensamento Computacional e Tecnologias- Reflexões sobre a educação no século XXI”.