A educação tecnológica tem sido tema de interesse de professores e pesquisadores no Brasil, há pelo menos 40 anos.  Desde os anos 80, algumas escolas começaram a experienciar a introdução da informática na educação, nas escolas brasileiras, através de iniciativas de professores da UFRGS e da UNICAMP. No início com a linguagem de Programação LOGO e depois com as tecnologias que foram emergindo, juntamente com a evolução dos computadores.  A exemplo disso, temos a interface gráfica e os aplicativos de escritório, que aos poucos foram mudando a abordagem da informática na educação.

Enquanto no início dos anos noventa, alguns poucos alunos programavam a tartaruga da Linguagem Logo e tinham suas aulas de informática na educação, hoje, um mundo muito diferente de possibilidades está disponível para escolas e professores.

A antiga linguagem logo, idealizada por Seymour Papert, deu lugar a inúmeras tecnologias para a educação, como os brinquedos de programar da LEGO e os diversos recursos de programação em blocos disponíveis hoje.  Papert, previu que as suas ideias materializadas na linguagem LOGO seriam a base para muitas outras que iriam surgir. Hoje, no caminho dessas mudanças, falamos muito na necessidade de todos desenvolverem o pensamento computacional, não só para programar computadores, mas para aplicar as estratégias de resolução de problemas na vida real.

Indo além, falamos de inteligência artificial, de realidade virtual, e de um emaranhado de novas tecnologias que se refletem na educação.  A educação tecnológica é, portanto, um caminho sem volta.  Contudo, apesar de as tecnologias terem evoluído e cada vez surpreenderem ainda mais as pessoas, a escola parece estar da mesma forma.

Muitos professores ainda acreditam que os alunos são tábula rasa, ou seja, que nada ou pouco sabem.  Baseiam suas aulas em “copiar e colar” do quadro e do livro para o caderno.

O professor empirista habita até mesmo as escolas mais tecnológicas e, muitas vezes, os próprios professores tecnológicos seguem utilizando metodologias baseadas na aprendizagem por reprodução, ao passo que poderiam  se basear no pressuposto epistemológico de que a aprendizagem não é transmitida, mas sim, construída durante o processo de interação entre sujeitos e objetos do conhecimento.

Paulo Pasqual Jr, professor e autor do livro sobre o mesmo tema: “Pensamento Computacional e Tecnologias, Reflexões sobre a educação no século XXI. ” 

 

Este texto foi originalmente publicado no blog do autor, disponível em www.pasqualjr.com.br.