EDUCAÇÃO EM TEMPOS DE PANDEMIA: SEM QUADRO SEM GIZ, MAS A AULA SEGUE EAD

                                                                                                    *Paulo Pasqual Jr.

Nos últimos dias, os tempos de pandemia reforçaram a modalidade de ensino EaD. Muitas escolas no mundo inteiro transformaram as suas salas de aulas físicas em salas de aula virtuais, oportunizando o acesso de milhões de alunos aos conteúdos curriculares, sem praticamente, nenhum prejuízo.

Esse movimento, uma alternativa para que muitas escolas e alunos não percam o ano letivo, criou uma reviravolta na forma como as escolas se organizam e pensam a educação. Professores que, muitas vezes estavam distantes das tecnologias, precisaram correr atrás do prejuízo e buscar atualização com urgência para não perder o “protagonismo” em sala de aula.

Sob essa perspectiva, gostaria de tratar de dois aspectos: o primeiro é a formação do professor e, consequentemente, a relação do docente com as tecnologias. O segundo é a falta de recursos de alguns alunos e escolas para acompanhar o processo de informatização compulsória.

Em relação ao professor, cabe destacar que, desde os anos 1980, a informática vem sendo introduzida no Brasil como mais um recurso para promover a aprendizagem dentro das escolas. A informática na educação passou de utilização de aplicativos à criação de vídeos, programação de robôs e games.

Historicamente, são mais de 40 anos de propostas e implementações nesse caminho. Mesmo assim, boa parte dos professores ainda não se deram conta que é preciso correr atrás e estar cada vez mais apto a trabalhar com as novas tecnologias. Não só para potencializar os processos de ensino e aprendizagem, mas, sobretudo, para permanecer na profissão.

No meu livro, “ Pensamento Computacional e Tecnologias: Reflexões sobre a educação no século XXI”, abordei essa questão trazendo algumas ponderações e caminhos possíveis. Sobre o momento que estamos vivendo, é certo que nem todos os professores estavam preparados para atuar na EaD durante a pandemia, mas precisaram se tornar próximos aos ambientes virtuais, aos vídeos e outras tecnologias.

 

Por outro lado, para além da capacitação dos professores temos aqueles que nem tiveram a oportunidade de continuar trabalhando. Não por falta de capacitação, mas porque principalmente os alunos e as escolas não possuem o mínimo para poderem ter aula a distância.

O grande contraste da pandemia se desenhou da seguinte forma: os alunos das escolas particulares têm aula e tem seu ano letivo preservado; os alunos das escolas públicas estão, simplesmente sem aulas, pois a maioria não possui o mínimo para fazer aulas em EaD.

Por muito tempo, eu tenho falado sobre tecnologia na educação, contudo, tenho plena consciência que, no caso do Brasil, muitas escolas não possuem nem quadro, nem giz, nem uma estrutura física adequada para receber alunos, quem dirá para ter computadores e aulas informatizadas.

Essa grande dicotomia desenha uma realidade desigual de oportunidades distintas que, de forma velada, acontece o tempo todo. Alunos de escolas privadas, com muitas oportunidades versus alunos de escolas públicas, com limitações inimagináveis.

A pandemia apenas externalizou, evidenciou essa dicotomia que é cotidiana para o professor. Principalmente para aquele que dá aula na escola pública e na escola privada. As crises, normalmente acentuam as desigualdades, logo, percebo que no caso da Covid, não será diferente.

Por um lado, alunos e professores, obrigados a se atualizarem e trabalharem em EaD para garantir o ano letivo, enquanto, por outro, professores e alunos que não têm a mesma sorte.

Triste realidade de um mundo muito mais difícil para os mais pobres.

 

(Texto publicado originalmente pelo autor na revista Magazine 360: www.magazine360.com.br. e no blog https://www.pasqualjr.com.br/post/educa%C3%A7%C3%A3o-em-tempos-de-pandemia-sem-quadro-sem-giz-mas-a-aula-segue-ead )